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Escolhi esse tema essa semana, não só pelo dia das mães que se aproxima, mas porque, somente essa semana, depois de 1 ano de 2 meses que me tornei mãe, eu comecei a ressurgir, quase como uma fênix, do mundo maternal. Achei importante escrever sobre como as mudanças da maternidade trouxeram para a minha vida profissional e como estou gerenciando (ou tentando) gerenciar o caos e alegria que essa mudança trouxe para a minha vida. Nesse compasso de gestão de mudanças, coerência e transparência, que são os valores que trabalhamos para gerenciar mudanças organizacionais e individuais, achei necessário contar um pouco da minha trajetória, porque ela foi um pouco caótica e longa e acredito que muitas mães que já são mães e que ainda serão poderiam se identificar com o meu relato.
Como somos uma empresa de gestão de mudanças, porque não olhar para esse momento todo com esse olhar? Como eu gerenciei, e estou gerenciando essa mudança na minha vida?
Se seguirmos os passos emocionais do luto na mudança (negação, raiva, barganha, depressão e aceitação), eu passei por todos. E somente ontem, sim, ontem, 1 ano e 2 meses depois de ter um filho, foi que comecei a colocar o pezinho na fase “busca de novas soluções e aceitação”. Porque agora que eu aceitei psicologicamente todo esse processo, preciso ainda entender quem é essa pessoa que renasce, ou construí-la, com muito cuidado e carinho por mais algum tempo.
Bom, mas vamos entender um pouco minha jornada de mudança:
Passei pela fase de NEGAÇÃO profissional logo que meu filho nasceu. Eu precisava trabalhar e obviamente não queria, não queria mais, nunca mais. Queria ter o direito de ter uma licença maternidade, de poder maternar o meu filho. Chorei muito e senti muita raiva nessa fase, foram mais de 5 meses em negação do meu futuro como pessoa. Eu era só mãe e queria ser só mãe, a minha grande dificuldade não estava em ter tido um filho, mas em ter que continuar sendo aquela pessoa que eu era com um filho. Isso não cabia mais e eu queria parar o mundo e ser mãe por um bom tempo.
Mas isso não aconteceu! Com duas semanas pós parto, já precisei me reintegrar ao trabalho e então fui entrando na fase da raiva, sem ao menos a da negação ter passado. Fiquei com essa duas emoções entaladas na garganta. Ia trabalhar com amor, mas sem estar inteira, porque internamente me sentia despedaçada com essa transição. Levei o meu filho comigo para todos os lugares por 1 ano. Ele só mamou leite materno até os 6 meses e amamentei-o até um mês atrás. E ao mesmo tempo, não senti por parte de pessoas próximas a empatia para seguir em frente. Nada nunca estava bom para os outros e eu me sentia só, muito só. Eu queria tudo perfeito e eu não tinha tudo perfeito, estava em frangalhos, cansada, triste e com raiva. E enquanto tudo isso acontecia comigo, eu ajudava pessoas e empresas a lidarem com as suas próprias raivas e tristezas. Foi nesse período onde mais consegui empatizar com o outro, porque eu sentia a tristeza do outro, pois em mim, estava doendo, e muito. Me sentia exausta, mas sem outra opção. Chorava sozinha pelo direito perdido de poder focar a minha energia toda no meu filho. Ainda sim, eu estava com ele, o tempo todo. Entrei em confusão ou, na fase neutra da mudança, onde não sabemos para onde ir e o que fazer, ou que SER. E o tempo passou, fiquei em estanque. Trabalhei o que deu, coloquei minha energia e amor no que consegui no trabalho. Nesse caminho ajudei pessoas a se redescobrirem na profissão e no mundo. Fui tentando me adaptar as demandas da vida profissional, mas sem deixar de passar o maior possível com o meu filho.
Em meados do final do ano passado (2015), entrei uma fase pesada de barganha. Comecei a traçar planos para não precisar voltar 100% ao trabalho nunca mais. Sim eu pensava: “NUNCA MAIS”. Essa pessoa que eu era antes do meu filho nascer não poderia voltar, eu não queria. Pensei em mil hipóteses, mas não agi em nenhuma delas. É isso que acontece com a gente na fase de barganha, a gente pensa, pergunta, briga, mas não consegue agir. A confusão ainda é muita e nesse momento, o melhor mesmo é ficar parado.
Entendi isso e me recolhi, olhei para mim e pensei: hora de respeitar o meu luto! Demorou 10 meses eu para eu fazer isso! Para eu respeitar o meu tempo de transição. Me permiti então ficar triste e fui procurando abraçar a minha tristeza, a minha alegria imensa de ser mãe, o amor maior do mundo que eu sentia no peito. Fui acolhendo esses meus sentimentos todos e colocando eles aonde dava, sem pressa, sem julgamento. Fui deixando. Avisei o meu marido sobre esse processo, ele me acolheu. Ao acolher isso em mim, fui capaz de, aos poucos, transformar a raiva em amor, em plenitude, em calma e ao mesmo, olhar as outras pessoas com mais amor ainda. Quanto mais me entendia, mas via no cliente e nos outros a dor escondida e o amor pronto para nascer.
Meu último estagio foi a depressão, que durou pouco, cerca de um mês. Cai na depressão e comecei a questionar todas as minhas competências profissionais e pessoais. Desisti, achei que não dava mais para continuar, que eu não era o suficiente para fazer o que faço. Passou!
Só então, que consegui olhar o futuro de outra forma, com esperança e com vontade de fazer as coisas diferentes, porque afinal, estou diferente. Foi um pouco mais de um ano para eu entender, aceitar e sentir essa nova pessoa nascendo. E ela está só nascendo, então calma, sem planos muito concretos! Essa mudança será longa! Espero estar atenta aos meus sentimentos para que eu possa tirar o melhor deles e assim ajudar os outros a fazerem o mesmo com mais coerência.
Achei essencial escrever isso, para que os clientes, amigos e quem eu não conheço possam saber que o processo de mudança nos afeta e é importante falarmos sobre isso. Mesmo sendo especialista, ele me afeta também e com uma das maiores mudanças da vida que é ser mãe. E que bom! Preocupada ficaria se não mudasse nada! Porque afinal de contas, a mudança faz parte do crescimento e do aprendizado. E se não passarmos por esse processo com inteireza, as consequências, são as piores, nos perdemos totalmente, e o caminho de volta é longo e mais doloroso!

Se você está no mesmo processo, estou aqui para te escutar e ajudar a construir esse caminho!

Um abraço a todos as mamães do mundo!

Franciele Maftum
(Sócia diretora – ChangeQuest Brasil)

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