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No blog de hoje compartilhamos uma matéria da HSM que trata de um assunto que vivenciamos muito nas organizações e que se bem trabalhado, poderia mudar o percurso dos projetos e resultados: a ansiedade e o stress.

A matéria na integra você pode ver pelo endereço http://www.revistahsm.com.br/lideranca-e-pessoas/administre-a-alta-ansiedade-de-seus-funcionarios/

por Julie McCarthy e John Trougakos | abr 26, 2016

Estudo com a Polícia Montada do Canadá mostra que a exaustão emocional é mais prejudicial ao desempenho dos ansiosos do que a interferência cognitiva, que antes era a principal culpada, e sugere as trocas sociais como solução.

A ansiedade é um problema generalizado no ambiente de negócios acelerado de hoje: em pesquisas recentes, 41% das pessoas que trabalham declararam “níveis elevados” de tensão na empresa, e estudos mostram que até 80% se sentem “estressadas”. A má notícia para os empregadores? Ausências relacionadas com a ansiedade são, em média, quatro vezes mais longas do que por outras doenças ou lesões. Estima-se que o flagelo da ansiedade onere a economia norte-americana em mais de US$ 40 bilhões por ano.

Outra má notícia é que altos níveis de ansiedade não têm apenas efeitos econômicos para as organizações; descobriu-se que seu impacto é negativo sobre o comportamento ético, a eficácia organizacional e os resultados financeiros. A ansiedade também é problemática na motivação dos funcionários, já que contribui para a insatisfação no trabalho e prejudica seu desempenho.

PROBLEMA COGNITIVO OU PESSOAL?

Por que a ansiedade dos colaboradores é ruim para o desempenho profissional e, consequentemente, para os negócios? Nossa pesquisa encontrou as respostas com base nas teorias da interferência cognitiva, o que é comum, e também na ideia de exaustão emocional (burnout), o que é novidade.

As teorias de interferência cognitiva analisam os pensamentos indesejados e frequentemente perturbadores que às vezes invadem a mente de um indivíduo e que, em seguida, interferem em seu comportamento. Trata-se de um aspecto-chave da dinâmica ansiedade-desempenho, sem dúvida.

Porém não é o único, em nossa visão. Como o conceito de desempenho no trabalho diz respeito à exigência da execução de múltiplas tarefas em um período determinado, ele depende do acesso a recursos cognitivos, é claro, mas também a recursos pessoais. É aí que entra outro fator-chave na relação entre ansiedade e desempenho: a exaustão emocional.

Esta pode ser definida como um estado crônico de sobrecarga física e emocional resultante do excesso de trabalho e/ou de exigências pessoais e estresse contínuo.

Entre os poucos estudos que já analisaram a ansiedade no local de trabalho, a maioria focou a interferência cognitiva como fator primário. Eles confirmaram a associação negativa entre ansiedade e desempenho – conforme a ansiedade se eleva, o desempenho cai –,mas postularam que isso ocorre porque a ansiedade interfere na capacidade da pessoa de processar fatos imediatos, o que, por sua vez, resulta em um desempenho pior.

Em nossa pesquisa, provamos que a exaustão emocional é ainda mais poderosa do que essa “incapacidade” cognitiva quando se trata de piorar o desempenho. Isso ocorre porque, como dissemos, o desempenho profissional exige a execução de múltiplas tarefas por longos períodos, o que faz com que seja bastante dependente dos recursos pessoais.

Altos níveis de ansiedade no local de trabalho drenam tais recursos, resultando em níveis reduzidos de desempenho.

A teoria da conservação de recursos de Steven Hobfoll detalha as causas e consequências da exaustão emocional. Ela afirma que os indivíduos naturalmente se esforçam para proteger e conquistar recursos como tempo e energia e que fazer isso é importante porque a “drenagem de recursos” leva à exaustão emocional. As pessoas também enfatizam o “longo prazo” por isso; elas preveem o esgotamento de recursos com o decorrer do tempo.

Uma premissa-chave da teoria de Hobfoll é que o esgotamento contínuo de recursos pessoais resulta em sintomas de burnout.

A POLÍCIA MONTADA CANADENSE

Conduzimos um estudo de campo com a Polícia Montada do Canadá para testar nossas hipóteses sobre a ansiedade, o desempenho no trabalho, a exaustão emocional e a interferência cognitiva, ao lado de nosso coautor Bonnie Cheg, da Hong Kong Polytechnic University.

Devido às interações regulares com criminosos violentos, cenas de crimes, vítimas de acidentes e situações afins, o ambiente policial é particularmente caracterizado por altos níveis de estresse.

Os funcionários desses locais correm riscos significativamente maiores de problemas de saúde física e mental do que a população em geral, e não surpreende que a ansiedade no local de trabalho seja um fenômeno comum em organizações policiais.

Entre os participantes de nosso estudo estavam policiais e seus supervisores. No momento 1, os policiais passaram por uma avaliação da ansiedade no local de trabalho. No momento 2 (três meses depois), foram medidos os níveis de
exaustão emocional e de interferência cognitiva. No momento 3 (seis semanas depois
do momento 2), os supervisores foram avaliados quanto às trocas com seus subordinados e quanto ao desempenho no trabalho. Para todas as etapas houve comparação com grupos de pares.

A ansiedade no local de trabalho foi medida segundo a escala de ansiedade de desempenho desenvolvida por uma das autoras, Julie McCarthy, e por Richard Goffin. Para que se tenha uma ideia da escala, um de seus itens é: “Não paro de pensar que estou fazendo mal meu trabalho”.

A exaustão emocional nós avaliamos com a subescala de cinco itens do Maslach Burnout Inventory General Survey. Um item dessa pesquisa, por exemplo, é: “Sinto-me imprestável no fim de um dia de trabalho”.

A interferência cognitiva foi estimada por meio de seis itens adaptados do Cognitive Interference Questionnaire. Um deles é: “Quando estou no trabalho, penso em atividades extraprofissionais”.

Como previsto, demonstrou-se uma relação positiva significativa entre a ansiedade no local de trabalho e a exaustão emocional, o que, por sua vez, revelou ter um efeito negativo significativo sobre o desempenho profissional.

Descobrimos também que as relações entre colegas moderam de forma significativa a relação entre ansiedade no local de trabalho e exaustão emocional, enquanto as relações entre chefia e colaboradores modera de maneira significativa a ligação entre exaustão emocional e desempenho no trabalho.

Nossa pesquisa fez dois achados importantes:

  1. A exaustão emocional é, sim, um mecanismo importante da relação entre ansiedade e desempenho.
  2. As trocas sociais podem mitigar os efeitos nocivos da ansiedade no local de trabalho, seja entre colegas, seja entre subordinados e líderes.

MUDANDO AS COISAS

Tais descobertas têm implicações notáveis para pessoas que sofrem de altos níveis de ansiedade em geral, assim como para aquelas que atuam em ambientes muito exigentes e que trabalham com atividades sujeitas a fortes pressões.

Em primeiro lugar, o estudo demonstra com clareza que a ansiedade no local de trabalho tem um custo mais alto do que pode parecer, já que indivíduos ansiosos têm mais tendência a vivenciar exaustão emocional e, portanto, a registrar níveis de desempenho mais baixos.

Em segundo lugar, mostra quão crucial é para esses profissionais ter acesso a outros recursos que lhes permitam se recuperar da drenagem de recursos pessoais que a ansiedade no local de trabalho pode induzir.

Em terceiro lugar, nossos achados destacam o relevante papel da troca social para combater essa ansiedade, já que os colaboradores que conseguem se apoiar em líderes e colegas têm menor tendência a vivenciar os efeitos nocivos da ansiedade e da exaustão emocional.

Qual a mensagem para as organizações? Elas devem trabalhar continuamente para melhorar as relações entre colegas e entre funcionários e supervisores. Isso é fundamental. Algumas pesquisas já sugerem o caminho: a chave para desenvolver essas relações fortes seria a comunicação aberta. É muito simples. O que você está esperando?

O apoio social é o mais importante

Além do estudo de campo com a Polícia Montada do Canadá, pesquisas teóricas têm oferecido insights sobre fatores que podem amortecer a relação negativa entre ansiedade e desempenho. Em geral, elas mostram que, para mitigar os efeitos dessa relação, as pessoas costumam recorrer a recursos disponíveis no ambiente.

O apoio social é especialmente crítico entre tais recursos, conforme os pesquisadores Julie McCarthy e John Trougakos, porque consegue neutralizar a drenagem de recursos pessoais e suas consequências. Segundo eles, essas “funções de apoio social” podem servir para reabastecer o pool de recursos de uma pessoa, resultando em “espirais de ganho positivas” que contrabalançam os efeitos da exaustão emocional e promovem melhor desempenho.

McCarthy e Trougakos acreditam que o apoio social é especialmente importante no contexto do trabalho, porque em locais em que os colaboradores interagem regularmente surgem recursos materiais e socioemocionais que os ajudam em suas atividades cotidianas.

Tanto colegas como supervisores estão em condições de fornecer recursos socioemocionais e materiais a um indivíduo que necessite, conforme os autores, evitando a exaustão emocional e prevenindo a queda de desempenho.

© Rotman Management Magazine Editado com autorização da Rotman School of Management, da University of Toronto.Todos os direitos reservados. Julie McCarthy e John Trougakos são professores associados de comportamento organizacional e gestão de RH na Rotman School of Management.

Essa matéria foi publicada originalmente na Edição 115 Extra (abril de 2016) da revista HSM Management.

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