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“Essa semana fiz uma retrospectiva da minha vida, das pessoas que atendo e dos meus clientes e fui procurando sentir cada momento e cada pessoa que ajudei e cada troca na qual venho tendo nos últimos tempos. Entendi, com pesar no coração, que ainda estamos muito adoecidos e que a sociedade ainda necessita de cura. Reforcei, também, meu propósito e missão na vida de ser objeto de processo de cura e ofereci todo o meu trabalho a isso. Mas, a tristeza que envolve a doença do mundo e da sociedade precisa urgentemente ser acolhida. Há muita tristeza no outro, há muitas tristezas em nós. Tristeza recalcada, escondida, camuflada.

Uma tristeza fantasiada de defesa, poder, persuasão, perversidade, passividade e dores (todas elas). A empatia é a característica do século porque é só com ela que a gente se permite sentir as tristezas do passado, a falta de lugar no mundo, a máscara do personagem que não aguentamos mais usar, os sorrisos nervosos de inadequação e impotência na própria vida. O mundo virou um refém da fuga da tristeza. Na busca da felicidade esquecemo-nos de olhar o medo e as mazelas. Pois, não tem como acolher a felicidade sem entrar em contato com as tristezas.

Essa tal de tristeza me visita sempre, ela vem singela e brota forte nos meus momentos de yoga e meditação. Quando ela chega, dou um olá bem amoroso e digo: o que você veio me dizer hoje? Qual é a dor que ainda preciso curar? E dói! É difícil encontrar no mundo pessoas dispostas a lidar com a tristeza do outro. Mas, também, é difícil aceitar a tristeza em sua forma mais pura. Ela pura é virtude! Ela te diz tudo o que você precisa saber sobre você mesmo. Ela cura uma dor invisível!

Tristeza: não podemos ignorá-la

 

Nem sempre foi fácil para eu lidar com as minhas tristezas, eu costumava querer deixá-las o mais longe possível. Preferia sentir raiva mesmo! Entretanto, a raiva passava e não fazia sentido! Então, preferi não sentir nada, mas quando travei a tristeza, travei também a alegria, ou seja, não dá certo! E, ao sentir a minha, reconheço no outro (lá dentro do olhar) a tristeza esquecida e ao reconhecer, olho para ela lá no fundo da alma do outro e digo: “ei, pode vir, aqui você será acolhido”. Algumas pessoas a deixam sair, outras ainda vivem na dor como refúgio da consciência de si. Nada contra, só pesar mesmo. Logo, para o mundo melhorar e se curar, precisamos deixar sentir o triste e logo depois, e somente depois, a felicidade.”

Franciele Maftum

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